Você pode já ter observado veias dilatadas ou tortuosas e alongadas, inchaço, queimação ou peso nas pernas. Saiba que isto pode ser varizes e que existe tratamento.
As varizes são descritas desde a antiguidade, citadas em 1550 a.C, no Egito (Papiro de Ebers) e por Hipócrates ( 460-377 a.C) e desde então a mais comum de todas as alterações vasculares.
São frequentemente bilaterais e mais prevalentes em mulheres do que em homens. Entre as causas mais comuns estão a hereditariedade, idade, raça, número de gestações, obesidade e até a postura predominante no trabalho, este último ainda controverso.
As principais queixas clínicas dos pacientes são: queimação ou cansaço, câimbras, sensação das pernas estarem pesadas ou ardendo, inchadas, principalmente ao redor do tornozelo e que melhoram com a elevação dos membros inferiores e agravam-se no fim do dia, quando se permanece por longo tempo em pé ou sentado, no calor, nos períodos próximo ou durante a menstruação e também durante a gravidez.
Existem alguns mitos sobre as varizes. Não existe nenhuma relação estabelecida entre a formação de varizes e carregar peso, depilação ou uso de salto alto, assim como ginástica ou outra atividade física. As atividades físicas, desde quando realizadas sob supervisão do educador físico e prévia liberação por parte de seu médico (cardiologista, por exemplo) não provocam varizes e, aliás são aconselháveis para evitá-las. Nem mesmo a musculação, se não exagerada, não é contra indicada. Subir escada, por exemplo, pode ser considerado até um exercício físico, portanto, ajuda a incrementar o retorno venoso e não é causa de varizes.
O não tratamento das varizes pode acarretar diversos outros problemas médicos e até sociais. Pode ocorrer inflamação nas próprias varizes (flebite) até formação de coágulos no sistema venoso profundo (trombose), escurecimento , manchas e úlceras (feridas) da pele.
Ao consultar o angiologista e ou cirurgião vascular, você será submetido a um exame clínico que poderá incluir a realização de outros métodos diagnósticos como, por exemplo, o ultrasson doppler.
O tratamento específico das varizes depende, fundamentalmente, da veia a ser tratada. Aqueles cordões varicosos, salientes e visíveis, que elevam a pele, e aquelas pequenas veias de trajeto tortuoso ou retilíneo são de tratamento cirúrgico; já as telangiectasias ou aranhas vasculares devem ser tratadas pela escleroterapia (injeção de uma solução esclerosante dentro destes vasos).
Já existem outras técnicas cirúrgicas menos invasivas para o tratamento das varizes como o uso do laser ou da radiofrequência. Elas são menos agressivas, permitem o retorno precoce ao trabalho, reduzem cicatrizes e não precisam de internamento hospitalar. Seu médico irá avaliar a melhor indicação para você.
As veias que são retiradas, por estarem doentes, não colaboram para a circulação; ao contrário, sua retirada causa melhoria na drenagem venosa dos membros inferiores, aliviando sintomas e prevenindo as implicações da evolução da doença.
Naqueles pacientes que não querem ou não podem fazer nenhum dos tipos de tratamento citados, pode ser empregado o tratamento clínico com medicamentos, elevação dos membros inferiores e, fundamentalmente, o uso de meias elásticas.
Dicas úteis para evitar varizes:
• Evitar ganhar peso. EMAGREÇA!!!
• Dieta rica em fibras para evitar a constipação intestinal.
• Procurar não permanecer muito tempo parado em pé ou sentado.
• Não usar cintas abdominais apertadas.
• Realizar caminhadas e/ou exercícios físicos com supervisão médica e de educador físico.
• Não fumar!!!
• Utilizar sistematicamente as meias elásticas, principalmente durante a gravidez. Só as compre com receita médica pois pacientes com doenças arteriais dos membros inferiores não podem usar meias elásticas compressivas.
• Evitar hormônios anticoncepcionais.
• Consulte regularmente seu angiologista e/ou cirurgião vascular!
É a injeção intravenosa de substâncias irritantes ao tecido venoso, provocando uma reação inflamatória asséptica na parede interna da veia com conseqüente oclusão da mesma. É uma técnica muito conhecimento de tratamento de varizes reticulares e telangiectasias ( vasinhos) feita a nível ambulatorial, com anestesia local, podendo estar liberada para atividades laborais no mesmo dia. Pode ser feito com substâncias líquidas como a glicose hipertônica (a 75%),e polidocanol mas também laser e radiofrequência.
Apesar da comodidade o procedimento precisa ser indicado para se obter os melhores resultados. Complicações não são raras e variam desde hematomas, machas na pele, flebites (inflamação na veia) até mesmo trombose e reações alérgicas. O tipo de pele intefere no resultado do tratamento, mas analisando seu caso o médico pode fazer a melhor escolha para você.
Você foi submetido (a) ao tratamento cirúrgico das varizes dos membros inferiores e necessita seguir algumas orientações para uma boa recuperação!
1. As ataduras só devem ser retiradas após 48 horas. O curativo da região inguinal, se houver, deve ser trocado diariamente até ficar seco.
2. Mantenha repouso absoluto por 48 horas e após este período retorne às suas atividades de forma gradual. Atividades esportivas como caminhadas, só devem ser iniciadas após 30 dias e se liberadas por seu médico.
3. Se ocorrer sangramento após a retirada das ataduras, faca compressão no local e ponha um curativo. Após parar o sangramento, use a pomada que foi prescrita.
4. Mantenha a higiene rigorosa, principalmente nas virilhas. O banho normal só é liberado após as cicatrizes estarem secas.
5. As meias ou calças elásticas devem ser usadas após a retirada das ataduras e por, no mínimo, 30 dias após a cirurgia, isso evita o inchaço das pernas, trombose, hematomas e outras complicações.
6. Use os analgésicos e ou anti-inflamatórios conforme sua dor, mas não abuse deles. Sensação de formigamento, hematomas e perda de sensibilidade em algumas áreas podem ocorrer, e em geral, somem com o tempo.
7. Evite irradiação solar por 90 dias. Isso poderá evitar mancha nas cicatrizes.
8. Pequenos vasinhos ou vasos serpentiginosos podem permanecer na pele, pois eles não são retirados com esta cirurgia convencional. Poderá ser necessário tratamento complementar, a chamada escleroterapia (conhecida como aplicação), o que poderá ser feito habitualmente após 30 dias desta cirurgia.
9. Mesmo adequadamente operadas, as varizes dos membros inferiores podem recidivar porque nem sempre as causas podem ser corretamente tratadas. Você pode evitar estas recidivas mantendo seu peso corpóreo adequado, fazendo atividades físicas de forma regular, evitando pílulas anticoncepcionais e hormônios bem como sendo reavaliada periodicamente por seu médico.
10. A primeira revisão da cirurgia deverá ser feita após 7 dias da mesma.
As meias elásticas são a terapia de compressão considerada como o pilar fundamental no tratamento da estase venosa e linfática e é o único método terapêutico, que empregado isoladamente, é capaz de se opor às altas pressões patológicas, alterando o desenvolvimento das doenças venosas e linfáticas.
As meias elásticas, quando usadas corretamente e de forma rotineira, reduzem o edema de origem venosa, linfática, pós traumática ou inflamatória causada por varizes, tromboses, linfedema e outras doenças bem como contribuem para prevenção das doenças tromboembólicas.
Apesar de vivermos em um clima tropical, considerando a sudorese (suor) e o esforço, às vezes, extra-habituais para calçar as meias, há tipos de meias elásticas com bons materiais que trazem conforto e boa adaptação as meias. Consulte seu médico para melhores informações.
É o exame mais comum realizado na angiologia e cirurgia vascular e trazendo grande contribuição para outras áreas médicas. Por ser um exame não invasico (sem uso de contrastes ou radiação), de fácil realização técnica se feito por um médico experiente, podendo ser repetido se necessário e de baixo custo, tornou-se no mais importante arsenal diagnóstico não invasivo a disposição do consultório vascular, podendo ser feito até à beira do leito de enfermaria ou UTI.
Traz grande contribuição na realização de cirurgias podendo ser realizado no intra-operatório e no acompanhamento pós-operatório das diversas doenças vasculares.
Uma das doenças vasculares mais conhecidas que motiva o paciente a procurar um angiologista ou cirurgião vascular. É a formação de coágulos dentro do sistema venoso em qualquer parte do corpo (da cabeça aos pés).
É uma doença de grande importância clínica e forte impacto psicossocial e econômico. A migração dos coágulos para o pulmão caracteriza a embolia pulmonar que é considerada a complicação mais temida da trombose venosa profunda. É uma importante causa de morte hospitalar previnível!
Como suspeitar de uma trombose: edema (inchaço), dor ou descoloração da pele nas extremidades, aumento das veias superficiais, falta de ar, escarros com sangue, taquicardia e outros.
A identificação de fatores de risco para trombose constitui importante estratégia de prevenção, diagnóstico e orienta o tratamento. Alguns fatores de risco são: varizes, gravidez e puerpério (o pós-parto), idade avançada, câncer, imobilização, cirurgias ou traumas, uso de anticoncepcionais, trombose prévia, acidente vascular cerebral (derrame), doenças mieloproliferativas como leucemias e linfomas, policetemia, fatores genéticos como deficiênicia de proteína C, S, antitrombina III, fator V Leiden, desfibrogenemia, aumento de fator VIII e outros.
A doença pode ser diagnosticada clinicamente, mas a ultrassonografia doppler é o exame de escolha nos dias de hoje para avaliar porque é não invasivo, pode ser repetido quantas vezes for necessário, fácil acesso e capaz de precisar o local da trombose.
A doença ainda pode ser mascarada por outras condições clínicas como celulites e erisipelas, osteoartrose e artrites, edema por outras causas como lipedema, insuficiência cardíaca, compressão extrínseca, hipertrofia muscular, ruptura de cisto de Baker (no joelho) e até quadro crônico de obstrução venosa. Geralmente o tratamento é clínico (uso de medicações anticoagulantes) e alguns casos podem exigir cirurgia.
As doenças cardiovasculares são a principal causa de morbimortalidade na atualidade. A aterosclerose é o fator causal, isoladamente, mais importante e se caracteriza como uma doença multifatorial progressiva, causada por fatores genéticos e adquiridos, com acúmulo de lipídios e desenvolvimento de fibrose e obstrução nas artérias. É um processo crônico, progressivo e sistêmico decorrente de resposta inflamatória e fibroproliferativa que agride o endotélio vascular. Constitui-se numa doença multifatorial da civilização que cresce com ela e a cada dia acomete indivíduos mais jovens e diabéticos. É responsável por 95% das coronariopatias, 85% da claudicação intermitente dos membros inferiores e 75% dos acidentes vasculares cerebrais. Para os membros inferiores, acredita-se que seja subestimada pelo fato de o processo aterosclerótico permanecer subclínico e assintomático por longo período, afetando 20% das pessoas com mais de 70 anos.
A aterosclerose é a mais comum causa de doença vascular arterial. Causada por fatores de risco ao longo da vida como tabagismo, diabetes, sedentarismo, dislipidemia ( elevação do colesterol), hereditariedade e hipertensão arterial, ela permanece assintomática e pode comprometer qualquer artéria do corpo, principalmente aorta, carótidas, cerebrais, coronárias, renais, dos membros superiores e inferiores. Em geral, exige tratamento por toda a vida podendo ser medicamentoso ou cirúrgico.
É a doença arterial mais comum em angiologia e cirurgia vascular. Acomete todo o sistema arterial e tem na aterosclerose sua causa mais frequente.
Aterosclerose é uma doença sistêmica e multissegmentar, assintomática por longos períodos que endurece as paredes arteriais e compromete o fluxo sanguíneo no território que irriga. É causada por fatores de risco como diabetes melito, hipertensão arterial, tabagismo, doenças do colesterol e sedentarismo.
Seu aparecimento depende do número de artérias comprometidas, extensão da doença, grau de estenose, desenvolvimento de colaterais, nível e atividade do paciente e do controle dos fatores de risco acima expostos.
Caracteriza-se como dor que piora em aclives e com o aumento da velocidade da marcha, mas diminui com um breve repouso mesmo com o paciente permanecendo em pé. Há perda dos pulsos e atrofia dos músculos. Com a piora da doença pode se instalar uma dor de repouso ou as temidas úlceras. Dor de repouso é uma dor contínua, que piora à noite impedindo o paciente de dormir mas forçando-o a deixar o pé pendente para melhorar o fluxo. Úlceras são ferimentos espontâneos ou pós-traumáticos que não cicatrizam após 6 semanas. O último estágio é a gangrena da perda, condição de necrose da extremidade cujo tratamento é a amputação.
De acordo com o estudo realizado em Framingham, a incidência média anual de doença arterial periférica sintomática é de 26 por 10.000 homens e 12 em 10.000 mulheres, aumentando com a idade (entre a 6ª e a 7ª década de vida). Também atinge mais os brancos e é de alta frequência em diabéticos. De modo geral, a incidência estimada de isquemia crônica dos membros inferiores é de 500 a 1000 casos novos por milhão de habitante por ano. Entre esses pacientes, o índice de amputação primária varia de 10 a 40%. Naqueles com diagnóstico de doença coronariana, a presença de doença aterosclerótica periférica representa fator de risco independente para evento fatal, aumentando esse risco em 25%. Apesar de não dispor de dados epidemiológicos em nosso meio sua incidência parece ser importante.
Existe um arsenal terapêutico a disposição do cirurgião vascular e do angiologista para tratamento da doença aterosclerótica periférica aí inclusos tratamentos clínico e cirúrgico. Os últimos anos trouxeram grandes transformações no tratamento cirúrgico endovascular, medicações foram aprimoradas, casos são estudados criteriosamente para opção terapêutica individualizada que vise à manutenção de uma extremidade viável e apta a deambulação, mas a amputação maior (perna ou coxa) e seu impacto psicossocial ainda são grandes.
A doença pode ser diagnosticada clinicamente e com auxilio de exames não invasivos como a ultrassonografia doppler ou invasivos como uma angiotomografia ou arteriografia ( esta última conhecida como cateterismo). O tratamento depende em qual estágio está a doença. Pode ser apenas medicamentoso ou cirúrgico (endovascular ou convencional).
É o conjunto de alterações morfológicas e funcionais que ocorrem nos pés dos pacientes diabéticos decorrentes de doenças dos vasos, nervos, de ambos ou uma infecção. É um quadro grave, complicação de diabetes mal controlado de longa evolução. É a principal causa de amputações não traumáticas, mas tem como ser prevenido e evitado através de simples cuidados com os pés.
O pé diabético continua a ser importante problema de saúde pública com morbimortalidade elevada e incapacidade funcional daqueles submetidos à amputação, notadamente os que não conseguem a bipedestação na reabilitação.
Diabetes melito é doença de prevalência crescente e importante causa de amputações. Inúmeras variáveis participam da etiologia e suas complicações. A longa duração da doença e o mau controle metabólico atestado pelos níveis elevados de hemoglobina glicada e glicemia de jejum, reforça o risco maior de amputação nestes pacientes, bem como maior frequência de eventos cardiovasculares fatais.
Estima-se que hoje, a população de diabéticos no Brasil ultrapasse os 12 milhões de pacientes. O chamado “pé diabético” é considerado um grave problema de saúde pública responsável por cerca de 50.000 amputações no Brasil todos os anos. Diariamente, cerca de 150 diabéticos são submetidos a algum tipo de amputação de membros inferiores nas unidades de saúde pública em nosso país e, na última década, este número não diminuiu a despeito da melhoria na cobertura de saúde da família e na oferta de insulina e hipoglicemiantes orais para o controle do diabetes. Pesquisa recente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular-Regional Rio de Janeiro (SBACV-RJ) mostrou que 60% dos pacientes diabéticos que são internados nos hospitais de emergência com lesões nos pés acabam sendo amputados.
Conforme o Consenso Internacional sobre Pé Diabético, pacientes com amputação prévia devem realizar uma consulta entre um e três meses e devem ter, no mínimo, um exame anual de seus pés, e em maior número se o risco de complicações for elevado, uma vez que a piora do pé diabético é evitável através de medidas preventivas e diagnóstico precoce.
A falta de acesso aos serviços de saúde, apesar do aumento da cobertura da atenção básica verificada na última década no Brasil, a baixa adesão ao tratamento, apesar do desenvolvimento de práticas educativas no manejo do pé diabético, incrementam o risco de amputação. Impõe-se educar o paciente em saúde na área do diabetes. Urge também assegurar políticas públicas que assegurem o acesso à atenção médica básica (medicina preventiva) a fim de fazer diagnósticos precoces, educar para saúde e facilitar encaminhamento para serviços especializados quando necessário. É um problema médico e social grave, exige disciplina e educação do paciente diabético. Uma equipe multidisciplinar é necessária para o acompanhamento do paciente e a qualidade de vida pode ser melhorada.
É um tumor pulsátil no trajeto arterial, geralmente assintomático e que pode ser descoberto com o exame físico ou outros exames de imagem como a ultrassonografia. Caracterizado por um aumento focal ou difuso maior ou igual a 50% do segmento normal do vaso. Pode ser causado pela aterosclerose, defeitos no colágeno, inflamações e infecções ou traumas como o cateterismo ou acidentes. Os tipos mais frequentes são o aneurisma da aorta abdominal e da artéria poplítea. Complicações possíveis são a ruptura, trombose aguda ou embolia distal. O tratamento é cirúrgico podendo ser feito de forma aberta ou por via endovascular (técnica menos invasiva)
Dissecção é a separação das camadas das artérias por uma coluna de sangue. É mais comum na artéria aorta, ocorre mais em homens a partir da quinta década de vida, mas podem ocorrer em pessoas mais jovens. Hipertensão arterial é o agente causal mais comum, mas outras condições também podem estar associadas como doenças genéticas a exemplo da síndrome de Marfan. No trajeto da dissecção, ramos arteriais podem ser comprimidos ou ocluídos causando isquemia e até mesmo aneurismas. Dor torácica pode ser um sintoma inicial ou talvez o paciente seja assintomático. A doença, se não tratada, tem alta mortalidade.
As artérias carótidas, localizadas no pescoço, podem ser sede de depósito de placas de gordura que migram para o cérebro e provocam um acidente vascular cerebral (derrame). A doença aterosclerótica das carótidas é provocada por diversos fatores de risco como o diabetes melito, hipertensão arterial, tabagismo, obesidade, idade avançada, aumento do fibrinogênio, presença de distúrbios pró-coagulantes no sangue e outros. A realização de uma ultrassonografia doppler das artérias carótidas e vertebrais pode identificar a doença cujo tratamento pode ser medicamentoso ou cirúrgico.
Doença crônica que se manisfesta pelo acúmulo de líquido intersticial ocasionado por insuficiência da circulação linfática.Durante a circulação do sangue, juntamente com alguns glóbulos brancos, sai dos vasos sanguíneos sob pressão, um pouco de líquido que entra no espaço entre as células corpóreas (espaços intersticiais), formando o chamado fluído intersticial ou líquido intercelular. Defeitos neste sistema de condução geram o linfedema.
O edema do sistema linfático tem características próprias que o difere dos demais: redução da capacidade de drenagem do sistema linfático ou alta concentração do líquido intersticial.
O diagnóstico e o tratamento são clínicos. Como toda doença crônica, tem uma evolução lenta e as complicações como erisipelas recidivantes, elefantíase, transformação fibrótica da pele (endurecimento) e malignização podem ser minimizadas com o diagnóstico precoce e o tratamento e segmento adequado.
Também chamadas angiodisplasias, são anomalias do tecido que forma o sistema vascular sanguíneo e linfático, particularmente a célula endotelial. Na verdade, são manchas presentes desde o nascimento e algumas podem ter involução espontânea. Podem ser arteriais, venosas, linfáticas ou também uma associação dessas. Hemangiomas, linfangiomas e síndromes hemangiomatosas são alguns exemplos. São de diagnóstico clínico, algumas tratadas de forma conservadora e outras com indicações de técnicas cirúrgicas diversas como ligaduras cirúrgicas, embolizações e fotocoagulação com laser.
Vasculites são doenças caracterizadas pela inflamação da parede dos vasos sanguíneos. Não apresentam causa específica mas têm uma manifestação clínica sistêmica que pode ser comum a todas elas: febre, perda de peso, fraqueza e alteração das provas de atividade inflamatória.
A presença de uma vasculite merece investigação porque os vasos comprometidos podem evoluir para estenoses, tromboses ou aneurismas com consequente comprometimento da irrigação dos órgãos envolvidos.Algumas doenças podem se manifestar como vasculites: leucemias e linfomas, artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico e infecções como endocardite infecciosa, meningococcemia.
A doença pode também se apresentar de forma mascarada através, por exemplo, do fenômeno de Raynaud (alteração da coloração dos dedos das mãos com a exposição do membro ao frio). Outras condições clínicas também podem simular ou chamar a atenção para uma vasculite: livedo reticular (área de pele com aspecto marmoráceo), acrocianose ( coloração azulada de pés e mãos) e eritromelalgia (extremidades avermelhadas com calor e suor).
A doença pode ser diagnosticada clinicamente e algumas vezes são necessários exames complementares. O tratamento depende do tipo de complicação vascular se houver, mas quanto antes o diagnóstico, melhor pode ser o prognóstico.
Constitui punção venosa ou arterial a cateterização de um vaso superficial ou profundo para infusão de medicamentos e hemoderivados ( hemotransfusão ), coleta de amostras de sangue para exames laboratoriais, monitorização de parâmetros hemodinâmicos, hemodiálise, nutrição parenteral e outros.
Geralmente o parâmetro para punção é a anatomia da região, mas há alguns anos a ultrassonografia e a realidade aumentada tem ocupado cada vez mais espaço para guiar as punções. Existem diversos tipos de cateteres usados como acesso vascular, a indicação será de acordo com a sua necessidade e escolha de seu médico.
Um nódulo de tireoide e uma massa que cresce dentro da glândula que pode ter conteúdo sólido, liquido ou ambos. 5% a 10% destes nódulos podem ser malignos, daí a importância de serem rastreados. O ultrassom é um dos métodos e imagem utilizados para avaliação da glândula tireoide e suas patologias, dentre elas a detecção de nódulos tireoidianos. A punção aspirativa da tireoide (PAAF) e o método inicial e de melhor custo beneficio para avaliar os nódulos tireoidianos.
É o procedimento mais utilizado para avaliar nódulos tireoidianos bem como gânglios cervicais e biopsia de mama. Como é feito o procedimento: inicialmente, o médico utiliza o ultrassom para localizar o nódulo, o que aumenta a precisão do exame. Na sequencia, uma agulha fina é introduzida, sendo feita a aspiração com movimentos de vai e vem da agulha.
É uma subespecialidade da cirurgia vascular em que realizamos o tratamento das doenças circulatórias, utilizando cateteres e guias, manipulados à distância e monitorados por telas. O procedimento é realizado numa sala chamada Hemodinâmica, geralmente conjugada com o centro cirúrgico. São necessários o uso de radiação e contrates, em doses não tóxicas. Geralmente, sob anestesia local, é feita uma punção em um vaso (na virilha ou no cotovelo) e por dentro dele se introduz diversos cateteres para diagnóstico e terapia de doenças venosas e arteriais.
Dentre os materiais usados nestes procedimentos estão os “stents” (pequena estrutura metálica usada para manter o vaso no calibre desejado) e as endopróteses, que são tubos de plástico colocados dentro de uma artéria. A cirurgia endovascular tem como objetivos principais minimizar a agressividade cirúrgica, evitando-se as grandes incisões e as cicatrizes. Com isto diminui o tempo da intervenção e os custos hospitalares são, em geral, menores.
Esta subespecialidade avançou muito nos últimos anos, mas ainda não substituiu por completo as cirurgias convencionais. A depender do caso, a via endovascular pode ser a melhor opção, uma opção complementar ou uma segunda opção ou até mesmo pode ser contra-indicada. Trata-se, portanto, de uma indicação ou alternativa que seu médico pode dispor para melhor tratar a doença. Para saber mais sobre o assunto converse com o especialista.
Curativos são um meio terapêutico de limpeza de feridas que promova a cicatrização dela e previna contaminações ou infecções adjacentes. São procedimentos assépticos que vão desde a irrigação com solução fisiológica até a cobertura específica que auxiliarão no processo de cicatrização.
Podem ser pequenos, médios ou grandes. Curativos pequenos são aqueles de aproximadamente 16 cm2. (exemplos: cateteres venosos e arteriais, cicatrização de coto umbilical, fístulas anais, flebotomias e/ou subclávia/jugular, hemorroidectomia, pequenas incisões, traqueotomia, cateter de diálise e intermitente). Curativos médios: curativos realizados em feridas médias, variando de 16,5 a 36 cm2. (exemplo: cesáreas infectadas, incisões de dreno, lesões cutâneas, abscessos drenados, escaras infectadas). Curativos grandes: realizados em feridas grandes, variando de 36,5 a 80 cm2. (exemplo: incisões contaminadas, grandes cirurgias – incisões extensas (cirurgia torácica ou cardíaca), queimaduras, toracotomia com drenagem, úlceras infectadas, outros). E o curativos extras grandes: curativos realizados em feridas grandes, com mais de 80 cm2 (exemplos: todas as ocorrências de curativos extragrandes deverão obrigatoriamente constar de justificativa médica).
Técnica de Curativo – Normas Gerais:
• Lavar as mãos antes e após cada curativo, mesmo que seja em um mesmo paciente;
• Verificar data de esterilização nos pacotes utilizados para o curativo (validade usual 7 dias);
• Expor a ferida e o material o mínimo de tempo possível;
• Utilizar sempre material esterilizado;
• Se as gazes estiverem aderidas na ferida, umedecê-las antes de retirá-las;
• Não falar e não tossir sobre a ferida e ao manusear material estéril;
• Considerar contaminado qualquer material que toque sobre locais não esterilizados;
• Usar luvas de procedimentos em todos os curativos, fazendo-os com pinças (técnica asséptica);
• Utilizar luvas estéreis em curativos de cavidades ou quando houver necessidade de contato direto com a ferida ou com o material que irá entrar em contato com a ferida;
• Se houver mais de uma ferida, iniciar pela menos contaminada; Nunca abrir e trocar curativo de ferida limpa ao mesmo tempo em que troca de ferida contaminada;
• Quando uma mesma pessoa for trocar vários curativos no mesmo paciente, deve iniciar pelos de incisão limpa e fechada, seguindo-se de ferida aberta não infectada, drenos e por último as colostomias e fístulas em geral;
• Ao embeber a gaze com soluções manter a ponta da pinça voltada para baixo;
• Ao aplicar ataduras, fazê-lo no sentido da circulação venosa, com o membro apoiado, tendo o cuidado de não apertar em demasia.
• Os curativos devem ser realizados no leito com toda técnica asséptica;
• Nunca colocar o material sobre a cama do paciente e sim sobre a mesa auxiliar, ou carrinho de curativo. O mesmo deve sofrer desinfecção após cada uso;
• Todo curativo deve ser realizado com a seguinte paramentação : luva, máscara e óculos. Em caso de curativos de grande porte e curativos infectados (escaras infectadas com áreas extensas, lesões em membros inferiores, e ferida cirúrgica infectada) usar também o capote como paramentação. Quando o curativo for oclusivo deve-se anotar no esparadrapo a data, a hora e o nome de quem realizou o curativo.
Curativos – cuidados importantes
• Em portadores de ostomias e fístulas utilizar placa protetora;
• Não comprimir demasiadamente com ataduras e esparadrapos o local da ferida a fim de garantir boa circulação;
• As compressas e ataduras deverão ser colocadas em sacos plásticos protegidos e jogar no “hamper” de roupa do paciente. Quando este material estiver com grande quantidade de secreção, deve-se colocar em saco plástico e desprezar;
• Trocar os curativos úmidos quantas vezes forem necessárias, o mesmo procedimento deve ser adotado para a roupa de cama, com secreção do curativo;
• Quando o curativo da ferida for removido, a ferida deve ser inspecionada quanto a sinais flogísticos. Se houver presença de sinais de infecção (calor, rubor, hiperemia, secreção) comunicar ao profissional de saúde responsável. Poderá ser necessário colher material para cultura conforme técnica;
• O curativo deve ser feito após o banho do paciente, fora do horário das refeições;
• O curativo não deve ser realizado em horário de limpeza do ambiente, o ideal é após a limpeza;
• Em feridas em fase de granulação realizar a limpeza do interior da ferida com soro fisiológico em jatos, não esfregar o leito da ferida para não lesar o tecido em formação;
• Os drenos devem ser de tamanho que permitam a sua permanência na posição vertical, livre de dobras e curva;
• Mobilizar dreno conforme prescrição médica;
• Em úlceras arteriais e neuropatia diabética (pé diabético) manter membro enfaixado e aquecido com algodão ortopédico;
• Em úlceras venosas, manter membro elevado.
Antes de Iniciar o Curativo, deve-se realizar:
– Avaliação do estado do paciente, principalmente os fatores que interferem na cicatrização, fatores causais, risco de infecção;
– Avaliação do curativo a ser realizado, considerando-os em função do tipo de ferida;
– Orientação do paciente sobre o procedimento;
– Preparo do ambiente (colocar biombos quando necessário, deixar espaço na mesa de cabeceira para colocar o material a ser utilizado, fechar janelas muito próximas, disponibilizar lençol ou toalha para proteger o leito e as vestes do paciente quando houver possibilidade de que as soluções escorram para áreas adjacentes);
– Preparar o material e lavar as mãos;
– Após estes preparativos, podemos iniciar o curativo propriamente dito (remoção, limpeza, tratamento, proteção).
Principais erros cometidos ao se realizar um Curativo:
• Usar curativo em feridas totalmente cicatrizadas;
• Cobrir o curativo com excesso de esparadrapo;
• Trocar o curativo em excesso em feridas secas;
• Demorar a trocar o curativo de feridas secretantes;
• Esquecer de fazer as anotações ou não faze-las corretamente;
• Não lavar as mãos entre um curativo e outro;
• Conversar durante o procedimento;
• Misturar material de um curativo e outro, em um mesmo paciente;
• Não fazer desinfecção do carrinho de um curativo para outro.
O profissional de saúde é aquele habilitado para realizar o seu curativo, não recomendamos fazê-lo com pessoas sem formação adequada e principalmente sem orientação e supervisão de seu médico ou aquele por ele indicado. Salientamos ainda o cuidado com uso de pomadas, cremes, folhas sem uma correta orientação médica. Estes produtos são adjuvantes e devem ser feitos sob criteriosa avaliação.